A Associação das Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (AEST) realizou, nos dias 27 e 28 de julho, duas sessões técnicas dedicadas ao controlo de riscos associados ao eclipse solar total de 12 de agosto de 2026, moderadas pelo Secretário-Geral da AEST, Jorge Nunes.
As sessões reuniram especialistas nacionais e internacionais para analisar os impactos do fenómeno astronómico na saúde ocular, na segurança operacional e na gestão de risco organizacional, abrangendo toda a Península Ibérica, onde o eclipse parcial terá uma área de influência muito superior à faixa de totalidade.
27 de julho — Saúde Ocupacional
O webinar dirigido aos profissionais de saúde ocupacional contou com a participação do Dr. António Moreno (Universidad de Extremadura – Espanha), que apresentou um protocolo médico estruturado para diagnóstico, acompanhamento e prevenção da retinopatia solar. Foram detalhados os mecanismos fotoquímicos da lesão, a ausência de dor que favorece exposições prolongadas, os sintomas típicos nas primeiras 24–48 horas e os achados clínicos que podem evoluir ao longo do tempo.
O Prof. Dr. Paulo Henriques dos Marques (Universidade Europeia), também presente nesta sessão, expôs o seu envolvimento em planos de contingência anteriores, identificou lacunas no conhecimento público e técnico sobre riscos oculares durante eclipses e citou evidências recentes de aumento de sinistralidade associada à observação desprotegida. Anunciou ainda a publicação de um suplemento especial na Revista Segurança, bem como outros contributos técnicos dedicados ao tema.
O professor explicou a natureza dos eclipses solares totais, destacando porque são raramente visíveis numa mesma região, devido à rotação relativa da Terra e ao facto de a maioria das trajetórias ocorrer sobre oceanos, regiões polares ou áreas desabitadas. Descreveu o percurso do eclipse de 12 de agosto de 2026, desde o Ártico, Sibéria, Groenlândia e Islândia até ao norte da Península Ibérica e Ilhas Baleares, incluindo locais com organização de observação e astroturismo.
28 de julho — Segurança no Trabalho
Na sessão destinada aos profissionais de segurança no trabalho, o Prof. Dr. Paulo Henriques dos Marques sublinhou que os riscos de lesões oculares e acidentes ocorrem em toda a Península Ibérica, e não apenas na zona de ocultação total.
O Dr. Fernando Chaves (Marsh) complementou com uma perspetiva de gestão de riscos globais, reforçando a importância da preparação antecipada das organizações e da aprendizagem com experiências internacionais.
Foram apresentados procedimentos preventivos inovadores desenvolvidos pela coligação de entidades envolvidas, incluindo:
- utilização de óculos certificados e proteção contra radiação infravermelha e ultravioleta;
- reorganização de atividades laborais durante o período do eclipse;
- estratégias de sensibilização para trabalhadores estrangeiros e crianças;
- disponibilização de materiais educativos multilingues.
A AEST reforça o compromisso de apoiar empresas e profissionais na implementação de medidas eficazes de prevenção, garantindo que o eclipse solar de 12 de agosto de 2026 seja vivido com segurança, informação e responsabilidade.



